• A maioria daqueles que foram queimados em fogueiras na caça às bruxas eram mulheres.
Referência: Texto de Rosângela Angelin. Revista Espaço Acadêmico, nº 53, Outubro/2005.
Na idade média, a mulher que era viúva ou beata tinha poucas chances de sobreviver. A sociedade era patriarcal e a mulher interdependente do homem. Aquela que não casava tinha duas opções: Ou entrava na igreja ou ficava na miséria. Se era viúva e o falecido não deixasse um tostão furado, era miséria na certa.
As que se arriscavam a viver sozinhas nessa época possuíam um amplo conhecimento em ervas, e a fama de curandeira trazia algum feijão pra mesa. Elas eram especializadas em usar plantas, raízes e ervas locais para curar doenças e viviam em pântanos afastados da cidade para ter acesso a matéria prima do seu sustento. Não se sabe de onde vem o nome ''BRUXA'', mas essas mulheres eram taxadas assim.
Por exemplo: O ácido acetilsalicílico, princípio ativo em remédios que combatem dores já era conhecido pelas ''Bruxas''. O AAS era encontrado no salgueiro e rainha do brejo, ervas comuns na europa. As bruxas utilizavam dessas ervas para curar dores e enfermidades muito antes da Bayer sintetizar o AAS na aspirina.
Sabia-se que naquela época o conhecimento que fugia da arcada da igreja era visto como maligno. Muitas das ervas usadas pelas bruxas não eram conhecidas pela população, e na idade média o desconhecido é mau. Em uma época em que a ignorância e o medo viviam juntos, bastava uma pequena acusação para o caos e ódio se espalhar.
Muitas cidades europeias estocavam grãos para o inverno rigoroso. O estoque era feito em um celeiro úmido, sem ventilação e sujo, o local perfeito para a proliferação de fungos. Quando a população local comia esses grãos, eles ingeriam altas quantidades de fungos e bactérias, levando à intoxicação alimentar.
Sem saber o porquê de todos estarem morrendo de intoxicação, o que eles faziam?
"Todos nós da cidade estamos doentes e só aquela bruxa maldita que está saudável... Logo FOI ELA QUE NOS AMALDIÇOOU! "
Pronto, culpava-se as bruxas e as queimavam. Mal eles sabiam que as bruxas não ficavam doentes pois simplesmente elas não comiam do trigo da cidade porque não tinham dinheiro para comprá-lo.
Essas e outros tipos de acusações instauraram o medo em toda a Europa e voilá: Começa a temporada de caça as bruxas.
Injustiças à parte, vamos falar em que momento a Química entra em um dos maiores mitos sobre Bruxas: Os vôos em vassouras.
As acusações de que elas voavam pode ter um cunho cristão: Diziam que as bruxas voavam à meia noite para um sabá, uma imitação pagã da missa cristã. Ora, no século XXI já é difícil voar com nossa tecnologia, imagina voar na idade média!!
Mas o curioso não está nas acusações sobre as bruxas, mas sim nas confissões delas.
Sob tortura qualquer um confessa qualquer coisa. Mas alguns relatos remetem ao fato que algumas bruxas confessavam os vôos mesmo antes de serem colocadas em interrogatório.
Como isso é possível? A pessoa tem que estar doidona pra falar algo desse tipo... É mais ou menos por ai que a química entra.
Alcaloides: Uma pesquisa rápida no Wikipédia nos diz que são compostos encontrados nos vegetais, com composição basicamente de carbono, nitrogênio, hidrogênio e oxigênio.
Compostos que geralmente possuem algum efeito no sistema nervoso ao entrar na corrente sanguínea.
Derivados a base de alcaloides formar a base de muitos fármacos modernos, como a codeína e benzocaína.
Nos vegetais, as moléculas de alcaloides estão associadas a proteção, por isso alguns alcaloides também podem ser fungicidas, pesticidas e inseticidas naturais.
Em pequenas quantidades, certo alcaloides provocam efeitos "agradáveis" ao homem. Efedrina, usado na fitoterapia oriental, Reserpina usada para pressão alta e tranquilizantes são exemplos de compostos que dão um barato.
No caso das bruxas, vamos falar especificamente da Atropina e Escopolamina. Esses alcaloides eram encontrados em três das ervas encontradas na Europa: Mandrágora, Beladona e Meimendro. A ingestão direta das ervas era morte na certa, mas as bruxas sabiam que óleos e pomadas podiam ser aplicados diretamente na pele para os efeitos eufóricos.
E em que local do corpo absorve-se melhor? Nas partes em que a pele é mais fina e há mais vasos sanguíneos situados abaixo da pele. Logo supositórios vaginais e retais são utilizados para assegurar uma rápida absorção de um fármaco.
As bruxas sabiam desse fato da anatomia e aplicavam os óleos em cabos de vassouras e esfregavam nas partes íntimas. Muitas gravuras antigas de bruxaria mostram mulheres seminuas aplicando os óleos nas partes íntimas em volta de caldeirões.
Os vôos em vassouras não passavam de ilusões provocadas pelo efeito alucinógeno dos alcaloides. Relatos atuais de estudos sobre o efeito alucinógeno dos mesmos alcaloides usados pelas bruxas apontam os seguintes efeitos: Sensação de voar ou deixar o corpo. Claro que o efeito varia de corpo para corpo, mas a semelhança é incrível não é?
Numa época de ódio, tribulações, pobreza e miséria, minutos de euforia, de liberdade, de ''vôos'' percorrendo os céus rumo as suas maiores fantasias e depois acordar em casa era bem tentador para essas mulheres.
Bom, isso são hipóteses do que pode ter acontecido, mas rende uma boa conversa não é?
Esse foi um tema abordado no livro: Os Botões de Napoleão - As 17 moléculas que mudaram a história.
REFERÊNCIA:
COUTEUR, P.; BURRESON, J. Os botões de Napoleão: As 17 moléculas que mudaram a história. Tradução por Maria Luiza X. de A. Borges; revisão técnica Samira G.M Portugal. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
As que se arriscavam a viver sozinhas nessa época possuíam um amplo conhecimento em ervas, e a fama de curandeira trazia algum feijão pra mesa. Elas eram especializadas em usar plantas, raízes e ervas locais para curar doenças e viviam em pântanos afastados da cidade para ter acesso a matéria prima do seu sustento. Não se sabe de onde vem o nome ''BRUXA'', mas essas mulheres eram taxadas assim.
Por exemplo: O ácido acetilsalicílico, princípio ativo em remédios que combatem dores já era conhecido pelas ''Bruxas''. O AAS era encontrado no salgueiro e rainha do brejo, ervas comuns na europa. As bruxas utilizavam dessas ervas para curar dores e enfermidades muito antes da Bayer sintetizar o AAS na aspirina.
Sabia-se que naquela época o conhecimento que fugia da arcada da igreja era visto como maligno. Muitas das ervas usadas pelas bruxas não eram conhecidas pela população, e na idade média o desconhecido é mau. Em uma época em que a ignorância e o medo viviam juntos, bastava uma pequena acusação para o caos e ódio se espalhar.
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| ignorância aquecida com medo nos dá o ódio :/ |
Sem saber o porquê de todos estarem morrendo de intoxicação, o que eles faziam?
"Todos nós da cidade estamos doentes e só aquela bruxa maldita que está saudável... Logo FOI ELA QUE NOS AMALDIÇOOU! "
Pronto, culpava-se as bruxas e as queimavam. Mal eles sabiam que as bruxas não ficavam doentes pois simplesmente elas não comiam do trigo da cidade porque não tinham dinheiro para comprá-lo.
Essas e outros tipos de acusações instauraram o medo em toda a Europa e voilá: Começa a temporada de caça as bruxas.
Injustiças à parte, vamos falar em que momento a Química entra em um dos maiores mitos sobre Bruxas: Os vôos em vassouras.
As acusações de que elas voavam pode ter um cunho cristão: Diziam que as bruxas voavam à meia noite para um sabá, uma imitação pagã da missa cristã. Ora, no século XXI já é difícil voar com nossa tecnologia, imagina voar na idade média!!
Mas o curioso não está nas acusações sobre as bruxas, mas sim nas confissões delas.
Sob tortura qualquer um confessa qualquer coisa. Mas alguns relatos remetem ao fato que algumas bruxas confessavam os vôos mesmo antes de serem colocadas em interrogatório.
Como isso é possível? A pessoa tem que estar doidona pra falar algo desse tipo... É mais ou menos por ai que a química entra.
Alcaloides: Uma pesquisa rápida no Wikipédia nos diz que são compostos encontrados nos vegetais, com composição basicamente de carbono, nitrogênio, hidrogênio e oxigênio.
Compostos que geralmente possuem algum efeito no sistema nervoso ao entrar na corrente sanguínea.
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| codeína: alcaloide derivado do ópio |
Nos vegetais, as moléculas de alcaloides estão associadas a proteção, por isso alguns alcaloides também podem ser fungicidas, pesticidas e inseticidas naturais.
Em pequenas quantidades, certo alcaloides provocam efeitos "agradáveis" ao homem. Efedrina, usado na fitoterapia oriental, Reserpina usada para pressão alta e tranquilizantes são exemplos de compostos que dão um barato.
No caso das bruxas, vamos falar especificamente da Atropina e Escopolamina. Esses alcaloides eram encontrados em três das ervas encontradas na Europa: Mandrágora, Beladona e Meimendro. A ingestão direta das ervas era morte na certa, mas as bruxas sabiam que óleos e pomadas podiam ser aplicados diretamente na pele para os efeitos eufóricos.
E em que local do corpo absorve-se melhor? Nas partes em que a pele é mais fina e há mais vasos sanguíneos situados abaixo da pele. Logo supositórios vaginais e retais são utilizados para assegurar uma rápida absorção de um fármaco.
As bruxas sabiam desse fato da anatomia e aplicavam os óleos em cabos de vassouras e esfregavam nas partes íntimas. Muitas gravuras antigas de bruxaria mostram mulheres seminuas aplicando os óleos nas partes íntimas em volta de caldeirões.
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| imagem de um quadro do século XV que mostra uma suposta bruxa |
Numa época de ódio, tribulações, pobreza e miséria, minutos de euforia, de liberdade, de ''vôos'' percorrendo os céus rumo as suas maiores fantasias e depois acordar em casa era bem tentador para essas mulheres.
Bom, isso são hipóteses do que pode ter acontecido, mas rende uma boa conversa não é?
Esse foi um tema abordado no livro: Os Botões de Napoleão - As 17 moléculas que mudaram a história.
REFERÊNCIA:
COUTEUR, P.; BURRESON, J. Os botões de Napoleão: As 17 moléculas que mudaram a história. Tradução por Maria Luiza X. de A. Borges; revisão técnica Samira G.M Portugal. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.



MUITO BOM! Eu já tinha lido por alto sua postagem, mas agora parei pra ver com detalhes. Very bom!
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